André David e os totens do silêncio: quando ser vítima vira estratégia!!

POR TIAGO HÉLCIAS 

Deixa eu te contar uma história que você já deve ter visto se repetir várias vezes na política, só que dessa vez ela tem nome, sobrenome e um número bem concreto: R$ 1,4 milhão. É o caso do delegado André David, ex-secretário de Segurança Pública de Aracaju e hoje pré-candidato ao Senado pelo Republicanos.

Semana passada, essa história voltou a bombar em Sergipe. E o mais curioso não é nem a denúncia em si, é a forma como André David resolveu reagir a ela. Em vez de sentar, abrir a papelada e explicar, ele preferiu se fazer de vítima. E olha, para quem construiu carreira inteira se vendendo como o cara durão, o "delegado destemido" que não tem medo de encarar bandido, é no mínimo estranho ver esse mesmo homem se encolher assim que o assunto é dinheiro público.

Do que estamos falando, afinal

Vou te situar rapidinho. Tudo começou no programa Sergipe Verdade, da rádio SIM FM, numa entrevista do radialista George Magalhães com o especialista em licitações Hugo Oliveira. O assunto era o contrato entre a Prefeitura de Aracaju e a empresa Helper Tecnologia de Segurança, para o aluguel de totens de vigilância — contrato assinado justamente na gestão de André David à frente da Secretaria Municipal de Segurança.

Segundo o especialista, há indícios de superfaturamento de quase 50% no valor pago pelos equipamentos. Não é um "achismo" de rede social: é uma conta que, se estiver certa, sai direto do bolso de quem paga imposto em Aracaju.

A coisa ganhou corpo na imprensa sergipana. O jornalista Cláudio Nunes, em sua coluna no Portal Infonet, e a jornalista Rita Oliveira, em análise publicada em seu site, chegaram praticamente à mesma conclusão: a contratação da Helper teria sido exclusiva, sem disputa real de mercado, apoiada numa suposta patente da empresa que, segundo o próprio especialista ouvido pela imprensa, já tinha sido negada pelo INPI.

As perguntas simples que ninguém responde

Olha, eu não estou aqui inventando perseguição, nem picuinha. São perguntas de boteco, do tipo que qualquer gestor honesto responderia numa tarde, se tivesse a papelada em ordem. E aqui ratifico as indagações do jornalista Cláudio Nunes e vou além: 

- Por que contratar só a Helper, sem cotar outras empresas?

- Essa patente que justificaria a exclusividade era mesmo válida, ou já tinha sido negada pelo INPI, como aponta o especialista?

- Teve pesquisa de mercado de verdade antes de fechar o contrato?

- Como a própria Secretaria de Segurança validou esse edital?

- Cadê os documentos que provariam que o preço não estava inflado em quase metade do valor?

Até agora, silêncio. Nenhuma dessas perguntas foi respondida por André David.

Vitimização não é resposta, é fuga

Em vez de aparecer com contrato, ata e planilha na mão, o ex-secretário escolheu o caminho mais fácil: postar nas redes que está sendo vítima de uma "ofensiva coordenada" contra ele. Puxa, imagina só, o delegado que não tinha medo de encarar o crime organizado, e agora treme diante de uma pergunta sobre superfaturamento.

Acho que a Rita Oliveira colocou bem o dedo na ferida: quem foi delegado de polícia e depois virou gestor público carrega uma responsabilidade redobrada de prestar contas. Não é a imprensa sendo chata, é o combinado básico de quem mexeu com dinheiro do contribuinte. Chamar uma pergunta técnica de "perseguição eleitoral" é jogar para a plateia, não para a verdade. E a gente sabe bem a diferença entre as duas coisas.

No fim, quem paga o pato é sempre o mesmo

Sergipe tem problema demais de segurança pública real para a gente ainda ficar preso nessa novela de vitimização. Se o contrato estiver dentro da lei, com pesquisa de mercado feita e patente válida, é simples: André David mostra os papéis e a história acaba ali. Se não estiver, o silêncio de hoje só adia uma conversa que vai chegar de qualquer jeito, inclusive na urna, já que o delegado está de olho numa cadeira no Senado.

E olha, esse espaço aqui sempre foi de porta aberta. Se André David quiser, um dia, trocar a queixa pelo documento, o microfone está à disposição. Até lá, fica a pergunta que não sai de moda por aqui: quem mandou numa secretaria e assinou contrato não pode se esconder atrás da própria farda quando chega a hora de prestar contas.


Tiago Hélcias é jornalista com quase três décadas de vivência no front da notícia — do calor das ruas aos bastidores da política. Atua como apresentador, redator e produtor de conteúdo em rádio, TV e plataformas digitais. É pós-graduado em Marketing Político, especialista em Comunicação Assertiva e mestrando em Comunicação Digital em Portugal.

Aqui no blog, escreve com liberdade, opinião e um compromisso claro: provocar o leitor a pensar fora da caixa.

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