RANKING DA CORRUPÇÃO: DOIS LADOS DO ATLÂNTICO, O MESMO DESGASTE NA CONFIANÇA PÚBLICA
POR TIAGO HÉLCIAS Existe uma sensação curiosa quando se vive entre Brasil e Portugal tempo suficiente. Aos poucos, eu comecei a perceber que certas diferenças são mais de escala do que de essência. A corrupção é talvez o exemplo mais desconfortável disso. Muda o sotaque, muda o tamanho dos escândalos, muda a intensidade do debate público, mas o fenômeno continua ali, atravessando governos, instituições, o oceano atlântico e, muitas vezes, a própria cultura política. Nesse sentido, o Índice de Percepção da Corrupção, divulgado anualmente pela Transparência Internacional , funciona quase como um termômetro desse ambiente. Ele não mede apenas crimes comprovados, mede confiança, reputação institucional, sensação coletiva de integridade. E é justamente nessa dimensão simbólica que Brasil e Portugal têm mostrado trajetórias que, curiosamente, começam a se Portugal já foi referência. Hoje inspira alerta No início dos anos 2000, Portugal aparecia numa posição confortável. Equivale...