TEMPESTADE KRISTIN: ENTRE O QUE VIVI, O QUE VI E O QUE PORTUGAL INSISTE EM NÃO APRENDER
POR TIAGO HÉLCIAS Escrevo este texto a partir do Norte de Portugal. Não estou nos concelhos que foram devastados pela Depressão Kristin, mas estou suficientemente perto para perceber que esta tempestade não foi apenas um evento meteorológico extremo registado em gráficos, relatórios e comunicados oficiais. Ela foi sentida no corpo, na rotina e na forma como o país parou para esperar que o pior passasse. Tem sido assim: Durante dias, a chuva é constante, pesada, insistente. O vento não é apenas barulho. É impacto. Sacode janelas, vergava árvores, faz estruturas rangirem e lembrava, a cada rajada mais forte, que algo estava fora do padrão. Não houve aqui onde estou o cenário de destruição visto em Leiria, Coimbra ou Santarém. Mas há instabilidade, apreensão e a sensação clara de que basta uma mudança de trajetória para que o Norte também estivesse no centro da tragédia. É a partir desse lugar, de quem vive o fenómeno ainda que fora do epicentro, que este texto se constrói. O rasto...