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VITÓRIA CONSAGRADORA DE SEGURO: O QUE OS NÚMEROS ESCONDEM SOBRE A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL EM PORTUGAL

POR TIAGO HÉLCIAS  ​ Há eleições que definem cargos. Outras expõem o estado de espírito de um país inteiro. As presidenciais portuguesas de 8 de fevereiro de 2026 entram claramente nessa segunda categoria. A vitória do socialista António José Seguro foi ampla, inequívoca em alguns aspectos, mas cheia de camadas políticas e sociais que vão muito além do resultado formal das urnas. Seguro chega a Belém com 66,82% dos votos válidos, ultrapassando a marca dos 3,4 milhões de eleitores, enquanto André Ventura, extrema direita, ficou com 33,18%. Percentuais robustos, capazes de garantir legitimidade institucional sem contestação séria. Ainda assim, a fotografia completa da eleição exige olhar para aquilo que não apareceu nas urnas. A ABSTENÇÃO QUE FALA ALTO O dado talvez mais eloquente não seja quem venceu, mas quem decidiu não participar. A abstenção saltou de 38,5% no 1º turno para 49,89% no 2º. Em termos práticos, quase metade do eleitorado português preferiu o silêncio ao voto. Vale l...

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