EXCLUSIVO: GASPAR PREPARA A VIRADA

POR TIAGO HÉLCIAS | EXCLUSIVO 

Desde o início desta quarta-feira, 20/05, os bastidores de Brasília fervilhavam.

O burburinho chegou cedo, aquele tipo de rumor que corre em voz baixa pelos corredores do Congresso, mas que quem conhece a política brasileira aprende a levar a sério. Dizia-se que o deputado Alfredo Gaspar estava prestes a soltar uma bomba. Que havia provas. Que o momento estava próximo.

Fomos apurar.

A assessoria do deputado confirmou com exclusividade ao Hora do Papito: Gaspar tem em mãos o resultado de uma investigação concluída pela Polícia Legislativa que, segundo ele, prova que as acusações lançadas contra sua pessoa foram forjadas, articuladas deliberadamente para destruí-lo no exato momento em que seu trabalho atingia o núcleo duro do poder. O material está sendo preparado para divulgação pública. Até lá, o deputado embarcou para uma viagem ao exterior para cumprir agenda particular. 

Quando voltar, promete expor tudo no plenário da Câmara.

Para quem acompanhou os bastidores da CPMI do INSS, a notícia não surpreende, mas confirma o que muitos suspeitavam: a história não acabou em março. Ela apenas pausou.

Lembre o que estava em jogo

Para entender por que Gaspar se tornou alvo, é preciso entender o que ele havia construído.

Na madrugada de 27 de março, o relator da CPMI do INSS concluiu seu relatório com 4.400 páginas, pedindo o indiciamento de 216 investigados por crimes no roubo bilionário a aposentados e pensionistas da Previdência.  Entre os nomes: o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, apontado com indícios de organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.

O parecer previa o envio dos pedidos de indiciamento para PGR, MPF, Polícia Federal, STF, CGU e TCU, além do sequestro de bens dos indiciados por indícios de origem ilícita e prisão preventiva dos investigados em liberdade. 

Era uma bomba política endereçada ao coração do governo Lula. E foi desarmada, com uma precisão que só se aprende em décadas de Brasília.

A acusação que chegou na hora exata

Enquanto Gaspar lia seu relatório final diante das câmeras, com o pedido de indiciamento de Lulinha e outras 217 pessoas investigadas, Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke realizavam uma coletiva paralela e apresentavam à Polícia Federal uma notícia-crime acusando o relator de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos. 

Não antes. Não depois. Exatamente naquele momento.

A denúncia provocou tumulto na sessão, que foi interrompida para que o relator pudesse se defender.  O relatório perdeu o centro da cena. O nome de Lulinha foi empurrado para o rodapé. A pauta virou outra.

Gaspar reagiu com a dureza de quem se sentiu atacado pelas costas. Classificou as acusações como “falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis” e afirmou tratar-se de “uma tentativa clara de desviar o foco das graves investigações conduzidas pela CPMI do INSS, por meio de ataques pessoais e narrativas sem qualquer respaldo na realidade”.  Acionou a Procuradoria-Geral da República, abriu representação na Polícia Federal por denunciação caluniosa e se colocou à disposição para qualquer meio de prova, incluindo exame de DNA. 

A manobra que enterrou o relatório

Enquanto a guerra pessoal dominava os holofotes, o governo trabalhava nos bastidores com eficiência cirúrgica.

Horas antes da votação, Lula exonerou temporariamente o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, para que ele reassumisse seu mandato no Senado e participasse da sessão. A manobra retirou do colegiado a senadora suplente Margareth Buzetti, que havia sinalizado voto favorável ao relatório de Gaspar. O governo mobilizou ainda o senador Jaques Wagner, que viajou de Salvador a Brasília em caráter de urgência para garantir o quórum governista. 

O relatório foi derrubado com 19 votos contrários e apenas 12 favoráveis. A CPMI do INSS chegou ao fim sem um parecer nem indicação de indiciamentos. 

Sete meses de investigação. 4.340 páginas. Encerrados numa madrugada, sem uma linha de conclusão oficial.

O que vem por aí

É aqui que a história retoma. Porque Gaspar não engoliu o desfecho.

A investigação da Polícia Legislativa que ele promete revelar pode mudar o eixo do debate político nas próximas semanas. Se os documentos confirmarem que as acusações foram articuladas para interromper a leitura do relatório, e não por convicção de crime, o tiro pode virar contra quem atirou. Lindbergh e Soraya já estão na mira institucional. Os três parlamentares envolvidos foram intimados pelo ministro Gilmar Mendes a se explicarem sobre as ofensas mútuas durante a sessão final da CPMI. 

O cenário que se desenha é o de um confronto que ainda não terminou, apenas mudou de arena. Saiu da comissão, entrou nos tribunais, e em breve pode chegar ao plenário da Câmara com força total.

O Hora do Papito apurou em primeira mão. E continuará acompanhando.


Tiago Hélcias é jornalista com quase três décadas de vivência no front da notícia — do calor das ruas aos bastidores da política. Atua como apresentador, redator e produtor de conteúdo em rádio, TV e plataformas digitais. É pós-graduado em Marketing Político, especialista em Comunicação Assertiva e mestrando em Comunicação Digital em Portugal.

Aqui no blog, escreve com liberdade, opinião e um compromisso claro: provocar o leitor a pensar fora da caixa.

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