DE SERGIPE A PORTUGAL: A HISTÓRIA DO CARPINTEIRO QUE TRABALHOU DOBRADO PARA VENCER
POR PÚBLICO BRASIL / TIAGO HÉLCIAS

Em meio ao debate cada vez mais intenso sobre imigração na Europa — e, de forma particular, em Portugal — histórias concretas ajudam a romper estereótipos e simplificações perigosas. Entre episódios de xenofobia, discursos políticos inflamados e a falsa ideia de que imigrantes “sobrecarregam” o país, há uma realidade objetiva: a imigração é hoje uma mola propulsora essencial da economia portuguesa, sobretudo em setores que dependem diretamente de mão de obra qualificada, resiliente e disposta a trabalhar duro.
É nesse contexto que ganha destaque a história do sergipano, natural de Salgado, Cosme Santos. Ele foi alvo de uma reportagem especial do jornal Público Brasil, um dos veículos mais respeitados aqui em terras lusitanas. A matéria, assinada pelo jornalista Sérgio Nascimento, retrata a trajetória de um brasileiro que chegou a Portugal, enfrentou desafios reais da imigração e hoje se consolida como empreendedor no setor da carpintaria, com um investimento expressivo em tecnologia e geração de emprego.

Com muito orgulho — especialmente por se tratar de um conterrâneo sergipano, como eu também sou —, trago aqui uma síntese dos principais trechos da reportagem original do Público Brasil no formato de perguntas e respostas e acrescentei ao final um olhar pessoal de quem vive em Portugal e conhece, na prática, os desafios da vida fora do Brasil.
Porque, ao contrário do imaginário de que “quem está na Europa está rico”, a realidade é outra: aqui trabalha-se muito, trabalha-se dobrado, e cada conquista é fruto de esforço, disciplina e resiliência.

Entrevista
Quando você chegou a Portugal e o que motivou essa decisão?
Cosme Santos — Cheguei a Portugal há cerca de três anos. Vim em busca de melhores oportunidades de trabalho e de crescimento profissional. No Brasil eu já atuava como carpinteiro, mas sentia que aqui poderia expandir meu negócio e trabalhar com mais tecnologia.
Como foi o início da sua trajetória profissional no país?
Cosme Santos — No começo, trabalhei como empregado. Isso foi essencial para entender o mercado português, as exigências técnicas, os padrões de qualidade e também a forma como os negócios funcionam aqui. Foi um período de muito aprendizado e adaptação.
Em que momento surgiu a decisão de empreender?
Cosme Santos — Depois de algum tempo trabalhando e economizando, decidi investir em um negócio próprio. Apostei fortemente em tecnologia, adquirindo um maquinário moderno, avaliado em cerca de 500 mil euros, que hoje é o grande diferencial da empresa.
Qual a importância desse investimento em equipamentos?
Cosme Santos — O maquinário permite maior precisão, qualidade no acabamento e ganho de produtividade. Isso faz diferença no mercado português, que é muito exigente. Sem tecnologia, seria difícil competir.
Que tipo de serviços sua empresa oferece atualmente?
Cosme Santos — Trabalhamos com carpintaria e mobiliário sob medida, atendendo tanto clientes residenciais quanto projetos maiores. A tecnologia permite executar projetos mais complexos e personalizados.
A empresa também gera empregos em Portugal?
Cosme Santos — Sim. Hoje emprego tanto portugueses quanto brasileiros. Isso é algo que me orgulha muito, porque mostra que o imigrante não apenas busca oportunidades, mas também cria oportunidades.
Quais foram os principais desafios enfrentados ao longo desse processo?
Cosme Santos — A burocracia, o investimento inicial elevado e a adaptação cultural foram desafios importantes. Mesmo falando a mesma língua, existem diferenças que exigem atenção e respeito.
E no plano pessoal, como é viver longe do Brasil e de Sergipe?
Cosme Santos — É difícil estar longe da família e da terra natal, mas também é gratificante ver que o esforço está valendo a pena. A imigração exige sacrifícios, mas também traz crescimento pessoal.
Meu olhar pessoal, como sergipano e imigrante em Portugal
A história de Cosme Santos, tal como retratada pelo Público Brasil, não é uma exceção isolada — mas é, sem dúvida, uma história exemplar. Ela desmonta a narrativa simplista de que o imigrante “tira” algo do país que o recebe. Pelo contrário: a imigração que trabalha, empreende e gera emprego constrói, soma e fortalece a economia.
Como sergipano vivendo em Portugal, confesso que essa história me toca de forma especial. Porque sei, na pele, que a vida aqui não é fácil. Não existe glamour automático, não existe riqueza instantânea. Existe trabalho duro, cobrança constante, solidão em alguns momentos e muitos desafios diários.
Ver um conterrâneo vencer, investir, empregar e ser reconhecido é motivo de orgulho — e também de reflexão. Histórias como essa precisam ser contadas, sobretudo em tempos em que a imigração é tratada, muitas vezes, com desinformação e preconceito.
No fim das contas, o que sustenta qualquer país é gente que trabalha. E nisso, portugueses e imigrantes caminham juntos.
Confira a reportagem completa AQUI!
Tiago Hélcias é jornalista com quase três décadas de vivência no front da notícia — do calor das ruas aos bastidores da política. Atua como apresentador, redator e produtor de conteúdo em rádio, TV e plataformas digitais. É pós-graduado em Marketing Político, especialista em Comunicação Assertiva e mestrando em Comunicação Digital em Portugal.
Aqui no blog, escreve com liberdade, opinião e um compromisso claro: provocar o leitor a pensar fora da caixa.
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