RETROSPECTIVA 2025: QUANDO CALAR DEIXOU DE SER UMA OPÇÃO

POR TIAGO HÉLCIAS 


2025 foi o ano em que o Hora do Papito deixou definitivamente o estado de latência e voltou a cumprir aquilo para o qual sempre existiu: provocar, incomodar, tensionar narrativas e disputar sentidos num ambiente cada vez mais ruidoso, polarizado e intoxicado por versões convenientes da realidade.

O blog nunca foi um espaço de neutralidade artificial. Desde a sua criação, em 2015, ele nasce como território de opinião, análise crítica e liberdade intelectual. Ficou adormecido por um período — não por medo, censura ou acomodação, mas porque a vida também impõe pausas, deslocamentos e reconstruções. Houve outros projetos, outras frentes jornalísticas, outros compromissos profissionais. Houve, sobretudo, um tempo de recolhimento, estudo e ampliação de visão de mundo.

Desde 2022, vivendo em Portugal, passei a observar o Brasil a partir de fora. Esse deslocamento não esfriou o olhar; ao contrário, aguçou a análise. Ver o país à distância ajuda a enxergar aquilo que, muitas vezes, se normaliza quando se está imerso no caos cotidiano. 2025 foi o momento certo para retomar o blog porque o mundo entrou numa fase em que o ruído passou a valer mais do que o fato, a militância mais do que a informação e a narrativa mais do que a verdade. Permanecer em silêncio, nesse cenário, seria uma forma de conivência.

Ao longo de 2025, publiquei mais de 100 artigos. Não foram textos escritos por impulso, vaidade ou conveniência. Foram análises construídas a partir de fatos, contexto, leitura política e posicionamento claro. Muitos desses textos extrapolaram os limites do blog, circularam intensamente em redes sociais, grupos de WhatsApp, bastidores políticos e ambientes institucionais. Geraram repercussão, incômodo, ataques, elogios e debates acalorados. Houve textos que viralizaram. Outros que provocaram reações viscerais. E alguns que cumpriram exatamente o papel essencial do jornalismo de opinião: obrigar o leitor a sair da zona de conforto.

De forma objetiva, 2025 foi um ano em que abordei, de maneira recorrente e sistemática:

– a crise institucional brasileira;

– a hipertrofia do Judiciário e a politização do STF;

– a polarização como método de poder;

– o eixo Brasil–Portugal, especialmente no debate sobre imigração, xenofobia e oportunismo político;

– e os bastidores da política local em Sergipe e Alagoas, com escândalos, disputas eleitorais, silêncios institucionais e jogos de poder.

Alguns textos se tornaram marcos editoriais de 2025, tanto pela repercussão quanto pelo simbolismo do que representaram. Entre eles, destacam-se:

“República Federativa do STF: a democracia de um homem só”, que sintetizou a crítica à concentração de poder e à atuação política do Judiciário;

“500 euros por uma cabeça brasileira: o ódio sem freios em Portugal”, um dos textos mais contundentes sobre xenofobia e instrumentalização do imigrante;

“Brasileiros em Portugal: de bem-vindos a indesejados? A reciprocidade bate à porta”, que escancarou contradições do discurso oficial português;

“Bolsonaro, o réu perfeito: nunca foi sobre justiça”, uma análise direta sobre seletividade, espetáculo e conveniência política;

“Enquanto Portugal corta privilégios, o Brasil torra R$ 20 bilhões em supersalários”, que comparou modelos de Estado e prioridades públicas;

“Vaza Toga 2: quando a Justiça vira roteirista e a lei, mera coadjuvante”, símbolo da crítica à erosão institucional;

e “Alagoas: da Braskem em Maceió ao gás subterrâneo em Pilar – próxima catástrofe anunciada?”, que trouxe o olhar crítico para além do eixo nacional.

Esses textos não esgotam o ano, mas representam bem a linha editorial adotada por mim: um jornalismo opinativo que não se esquiva de temas sensíveis, não terceiriza responsabilidade intelectual e não se ajoelha diante do poder.

Houve quem concordasse. Houve quem discordasse com veemência. Houve tentativas de rotulação, enquadramento e desqualificação. Tudo isso faz parte do preço de ter opinião. E ele nunca foi barato. Mas há algo do qual nunca abri mão ao longo de quase 30 anos de jornalismo: coerência, ética, valores e independência. Não escrevo para agradar partidos, governos ou bolhas ideológicas. Escrevo porque acredito que opinião bem fundamentada ainda é um serviço público.

2025 consolidou o Hora do Papito como aquilo que ele é e sempre foi: um espaço livre, crítico, imperfeito como todo exercício humano, mas honesto com suas convicções. Um blog que não pede licença para discordar e não se desculpa por pensar.

E se 2025 marcou o retorno, 2026 será o ano da expansão. O que foi publicado até aqui é apenas a ponta do iceberg. O próximo ano será politicamente explosivo no Brasil: eleições, Copa do Mundo, espetáculo, distração, pão e circo em alta rotação. Justamente por isso, a promessa é simples — e inegociável: seguir com voz ativa, firme, opinativa, escrevendo sobre tudo e sobre todos em multiplataforma. 

O Hora do Papito segue.

Porque calar nunca foi uma opção!!

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Tiago Hélcias é jornalista com quase três décadas de vivência no front da notícia — do calor das ruas aos bastidores da política. Atua como apresentador, redator e produtor de conteúdo em rádio, TV e plataformas digitais. É pós-graduado em Marketing Político, especialista em Comunicação Assertiva e mestrando em Comunicação Digital em Portugal.

Aqui no blog, escreve com liberdade, opinião e um compromisso claro: provocar o leitor a pensar fora da caixa.

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